terça-feira, 5 de junho de 2012

Consumidores aprovam ações de Marketing em festivais de música


Estudo realizado pela Havas Sports & Entertainment indica que a presença das marcas melhora a experiência durante os eventos. Levantamento ouviu frequentadores de oito festivais de rock realizados na Europa
Os frequentadores de festivais de música aprovam as ações de Marketing das marcas patrocinadoras. É o que indica o estudo “European Music Festival Study”, realizado pela agência de Marketing Esportivo Havas Sports & Entertainment (HS&E), com 2.244 espectadores de oito eventos de rock em seis países europeus: Itália, Alemanha, França, Espanha, Polônia e Reino Unido.

De acordo com o levantamento, 65% dos entrevistados acreditam que as marcas melhoram a experiência durante os festivais. Desses, 60% interagiram com duas ou mais marcas durante os eventos e 85% gostaram das ativações realizadas. A percepção de marca também é elevada: em geral, a cada 10 empresas, seis eram lembradas pelos participantes e apenas dois entrevistados não citaram nenhum patrocinador.

A pesquisa apontou ainda que 36% dos participantes afirmaram estarem mais propensos a comprarem produtos de um patrocinador depois de ter contato com a marca no festival. A grande maioria (85%) acredita ainda que as empresas patrocinadoras desempenham um papel fundamental na execução financeira dos eventos. Apenas 11,3% acharam a publicidade tradicional interessante, enquanto 2/3 consideraram uma perda de tempo.

O estudo foi realizado pela HS&E ao longo de três meses, de junho a agosto de 2011, com frequentadores dos festivais Heineken Jammin Festival (Itália), Hurricane Festival (Alemanha), Main Square Festival, Solidays e Rock em Seine (França), Bilbao BBK (Espanha), Woodstock Festival (Polônia) e V Festival (Reino Unido).

Facebook quer liberar acesso a menores de 13 anos


Mecanismos testados incluem conexão entre contas das crianças e dos seus pais
O Facebook está desenvolvendo uma tecnologia que permitirá que crianças menores de 13 anos possam usar o site de redes sociais sob a supervisão dos pais — um passo que pode ajudar a empresa a conquistar um novo grupo de usuários e receitas, mas que também aumenta as preocupações sobre a privacidade.

Mecanismos que estão sendo testados incluem a conexão entre contas das crianças e dos seus pais e controles específicos que permitam aos pais decidir quais poderão ser os "amigos" dos seus filhos e quais aplicativos poderão ser usados, dizem pessoas familiarizadas com o projeto.

As características do serviço "sub-13" poderão permitir que o Facebook e seus parceiros cobrem dos pais jogos e outros entretenimentos acessados por seus filhos, disseram as mesmas fontes.

Atualmente, o Facebook proíbe usuários abaixo dos 13 anos, mas muitas crianças mentem sobre suas idades para obter contas, colocando a empresa em posição desconfortável a respeito de leis que requerem que sites obtenham o consentimento dos pais antes de colher dados pessoais infantis. Qualquer nova tentativa de dar às crianças mais jovens o acesso ao site seria extraordinariamente questionada, dadas as preocupações dos órgão reguladores, já intensificadas, sobre como Facebook protege a privacidade dos seus usuários.

As informações são da Dow Jones. 

4 hábitos ruins no trabalho e como lidar com eles





Especialistas explicam quatro comportamentos desencorajados no trabalho e como se livrar desses hábitos
São Paulo – Pense no perfil de um excelente profissional. Provavelmente, ele não é preguiçoso ou sem foco, sem certo? Tampouco excessivamente competitivo ou ansioso. Mesmo porque essas características psicológicas podem gerar problemas físicos, só pensar naquele seu colega de trabalho que tem gastrite ou pressão alta – as chances são grandes de a causa ser psicossomática.
Algumas características e hábitos não só são mal vistos no ambiente profissional como podem, sim, gerar problemas maiores de saúde para o funcionário. Entenda quatro sintomas, suas causas e como lidar com eles.
  • Sono e Preguiça

O corpo tem um relógio biológico que funciona muito com base na iluminação do dia e no escuro da noite. “De dia, liberamos o hormônio cortisol, que nos prepara para o enfrentamento da rotina. À noite, o hormônio melatonina começa a agir para indução do sono”, explica o médico Artur Zular, consultor científico do Instituto Qualidade de Vida.
Na prática, alterações nesse relógio biológico – como acordar antes do sol nascer ou insistir em se manter acordado até altas horas da noite, podem afetar o funcionamento desses hormônios, deixando a pessoa com sono durante o horário comercial. Pessoas que trabalham à noite, fazem plantões ou trabalham em turnos sofrem mais com isso.
Também é importante levar em consideração outros transtornos que podem estar causando sono em horários indevidos. “A pessoa pode estar com depressão não diagnosticada, por exemplo. Ela também pode ter transtornos como anemia e hipotireoidismo, que dão fraqueza e cansaço”, diz o Duílio Antero de Camargo, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo e médico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANMT).
  • Como lidar

Segundo Camargo, é importante passar por uma avaliação médica para determinar se o trabalhador “preguiçoso” não tem, na verdade, algum transtorno físico. “Se o problema for o trabalho em turnos ou à noite, o jeito é passar por uma readaptação, talvez mudar seu horário”, fala.
Para quem precisa lidar com o sono e não encontrou a causa da preguiça na medicina, Zular é bem direto na dica: “café”. Ele explica que cafeína é um excelente estimulante. Por dia, pode-se tomar 4 a 5 xícaras pequenas da bebida. “Quem não gosta de café pode tomar refrigerante de cola, que equivale a duas xícaras. Chocolate também funciona. Mas é preciso tomar cuidado com essa mistura para não ultrapassar a dose diária recomendada”, alerta.
Além de tirar a sonolência, o café estimula a cognição e memória. Para quem não tem diabetes, até o açúcar pode ser benéfico, por evitar glicemia.
  • Impaciência e ansiedade

Apesar de muitas vezes serem usadas como sinônimos, as palavras têm significados diferentes. “A impaciência tem relação com a urgência do tempo”, explica Zular, “Já a ansiedade se relaciona com o sofrer por antecipação”.
A impaciência tem um componente bastante cultural, da criança que não aprende que precisa esperar. Já a ansiedade pode produzir uma dificuldade em se lidar com o tempo, gerar estresse, angústia e até sintomas físicos como pressão arterial elevada.
A ansiedade é normal e as pessoas costumam ter alguns sintomas mais leves relacionados à tensão. O problema é quando eles se intensificam (sudorese, tremores, falta de ar e taquicardia) e acabam se tornando crônicos. “Ansiedade crônica deixa marcas físicas, o corpo não aguenta tamanho esgotamento”, afirma Camargo.
  • Como lidar

Na hora da tensão, alguns alimentos e bebidas (como o chocolate e o suco de maracujá, por exemplo), podem ajudar a lidar com um ataque de ansiedade. Se a questão é crônica, porém, e começa a afetar o seu dia a dia, é preciso passar por uma avaliação médica.
Os dois especialistas reiteram a importância de acompanhamento psicológico para se trabalhar as causas da ansiedade. “O médico vai desconstruir o modelo mental desse paciente ansioso”, conta Zular. E ele completa: “Essa pessoa muito ansiosa está vivendo em outra realidade, uma na qual os efeitos e sintomas são desproporcionais às causas”.
Para o médico Camargo, que faz parte da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, é importante notar que as causas dessa tensão podem vir do próprio emprego: sobrecarga de trabalho, excesso de meta, relacionamentos complicados. “Às vezes, é preciso tratar a pessoa, e para isso temos tranquilizantes e antidepressivos, mas às vezes também precisamos tratar a empresa”, diz.
  • Excesso de competitividade

Os novos modelos de gestão exigem, sim, um profissional mais agressivo e competitivo. Esse é um comportamento incentivado. “Mas o que importa mais: competência ou competitividade?”, questiona Artur Zular.
Claro que competência é mais importante e ser melhor que o outro pode ser desgastante, especialmente se a competição torna o clima da empresa menos colaborativo. “A pessoa competente compete consigo mesma, tem autocrítica”, diz Zular.
Ambos especialistas concordam que a característica da competitividade é um fenômeno psicossocial, ou seja, cultural. “Não tem nada a ver, por exemplo, com testosterona. Testosterona implica em agressividade, não competição”, desmistifica Zular.
  • Como lidar

Para Zular, é difícil mudar a personalidade de alguém muito competitivo: “Essa pessoa terá de ser treinada. Ela primeiro precisa se perceber como extremamente competitiva, depois adequar seus processos mentais e por fim mudar seus atos, não necessariamente sua essência”, afirma.
O psiquiatra Camargo também concorda com a importância da terapia em casos de competição extrema, para que a pessoa tenha consciência dos limites. “É preciso trabalhar a empresa, também, que tem responsabilidade pelo clima de extrema competição que promove”, completa.
O especialista dá algumas dicas, também, que podem ajudar a amenizar a necessidade de competir e brigar no ambiente de trabalho: “Busque válvulas de escape e recarregue suas baterias. Vale atividade física, espiritualidade, buscar apoio familiar e social e até agrados na alimentação”, sugere. Isso evita que, com tanto estresse, a pessoa exploda (cause brigas e seja agressiva) ou imploda (desenvolva doenças crônicas psicossomáticas).
  • Falta de foco

Já aconteceu de você não estar com sono, não estar cansado, mas também não conseguir manter sua atenção no trabalho a ser feito? Qualquer coisa parece mais interessante do que a tela do seu computador nesses momentos. Em alguns dias isso é normal, sim. O problema é quando a falta de foco se torna algo constante no trabalho.
“Falta de foco é poluição mental”, explica o médico Artur Zular. “Ela é gerada por fragmentos de outros dias e lugares que ficam na sua cabeça. Você lê um texto, mas com ele concorrem outros assuntos com os quais você precisa lidar”, explica.
Essa desatenção também pode ser sintoma de doenças mais graves como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ou depressão. “Esquecimento e apatia são sintomas comuns da depressão”, descreve Camargo.
  • Como lidar

Assim como com outros sintomas, a falta de foco pode ser indicativa de doenças mais graves. Por isso, é essencial que se passe por uma avaliação médica.
Se, por outro lado, você não consegue se concentrar por conta de algum problema pessoal, a solução é “se despoluir”. “Se for algo que você puder resolver, peça licença para o chefe e lide com o problema. Caso contrário, tente usar o trabalho como distração do problema – em vez de ser o oposto”, diz Zular.
A falta de foco pode ser sinal de que falta, na realidade, estímulo para se trabalhar. Segundo Camargo, um desgaste no trabalho pode ser resolvido com alterações: novos projetos, funções e tarefas que estimulem o funcionário.
“Há meios artificiais, também, para concentração: café e às vezes é necessário medicação”, diz Camargo. Ele, assim como Zular, sugere que a pessoa treine seu comportamento para saber priorizar tarefas. “Se está difícil de prestar atenção no trabalho, tire os ladrões de tempo e as distrações da sua frente”, completa Zular.

Fonte: http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/4-habitos-ruins-no-trabalho-e-como-lidar-com-eles?page=2&slug_name=4-habitos-ruins-no-trabalho-e-como-lidar-com-eles

Mentos lança edição especial para o Dia dos Namorados


Mentos Kiss Me traz o tradicional sabor de menta e uma surpresa para o consumidor. Produto recebeu uma embalagem diferenciada e mudança no logotipo para marcar a data
A Mentos lança uma edição especial para o Dia dos Namorados. O drops Kiss Me conta com o sabor Mint e traz uma surpresa dentro da embalagem: duas balas de morango.

O produto também apresenta embalagem diferenciada. Pela primeira vez a Perfetti Van Melle, empresa detentora da marca, alterou o logotipo, colocando um coração no lugar do "O". O Mentos Kiss Me já está disponível no mercado em embalagem com 14 unidades de 38 gramas e preço sugerido de R$ 1,10.


10 mandamentos de inovação do criador do Post-it


Em entrevista exclusiva, o norte-americano Art Fry detalha o processo de criação do bloco de anotações e como fazer para ter sucesso ao criar novos produtos
Ao contrário do que muitos pensam, o Post-it, um dos maiores símbolos de inovação no mundo, não foi criado acidentalmente, como uma cola que não fixava e só depois ganhou uma função. O produto foi pensado em 1974 por Art Fry, cientista na 3M por mais de 40 anos. Na época, Fry criou protótipos utilizando a cola que o colega Spencer Silver tinha desenvolvido.

O teste de aplicação decisivo veio em um ensaio do coral da Igreja Presbiteriana do Norte, em Minnesota, onde Art Fry cantava. Na ocasião ele utilizou a cola em pedaços de papéis para marcar as páginas. “Como cientista da 3M, eu estava trabalhando com os 15% que a empresa destina aos funcionários para desenvolverem novas ideias”, explica o criador do Post-it em entrevista ao Mundo do Marketing.

Como todo inventor de um novo produto, Fry (foto) não tinha dúvidas de que o bloco de recados autoadesivo e reposicionável seria bem sucedido. No entanto, pesquisas indicavam que não havia mercado para a invenção, ou, pelo menos, um mercado muito pequeno para notas autoadesivas. “Porém, as pessoas dentro da 3M que usaram minhas amostras gostavam do produto e usavam um monte deles. Sabia que o produto ia ser útil e, eventualmente, um sucesso, mas não previa a sua utilização em nível mundial, na quantidade que ele está sendo usado hoje”, reconhece.

O mundo de hoje, no entanto, está sob a discussão sustentável, da utilização decrescente de diversos recursos, incluindo o papel, e do aumento da utilização de mídias digitais. Seria este um problema para a continuidade do sucesso do Post-it? “A internet, os telefones celulares e os computadores tendem a fazer as pessoas usarem mais Post-its. Quando estamos conversando com alguém e temos uma ideia, ou quando se quer capturar alguma informação, é fácil pegar um Post-it e escrever enquanto está segurando o telefone, por exemplo. Registrar as ideias que podemos usar mais tarde é uma coisa valiosa para as pessoas que estão trabalhando duro todos os dias”, acredita.

Aos 80 anos e depois de entrar no Hall da Fama dos Inventores dos Estados Unidos, o norte-americano Art Fry ainda tem vontade de criar. “Há muitas invenções de impacto que envolvem o meio ambiente. Na verdade, existem tantos problemas que o mundo enfrenta hoje que eu adoraria começar de novo”, afirma o hoje embaixador da 3M, que percorre o mundo ministrando palestras sobre a cultura de inovação e sobre os conceitos e elementos que a torne possível.  A seguir, ele elenca 10 conselhos para quem quer inovar.

1. Tenha uma ampla educação em tecnologia.

2. Seja curioso e questione tudo.

3. A melhor maneira de aprender é tentar fazer as coisas sozinho. O que pode parecer simples, muitas vezes acaba por ter um alto nível de complexidade que você vai ter de aprender.

4. Eu gosto da declaração de Thomas Edison de que você precisa de um bom conhecimento técnico, curiosidade e uma grande pilha de lixo. Inventores têm de ser capazes de comunicar e vender suas ideias. Aprenda a falar e escrever bem.

5. A vida é muito complexa. Você pode não saber como fazer tudo sozinho e, por isso, deve aprender a trabalhar com outras pessoas que têm habilidades que você não tem.

6. Faça as coisas pelas razões certas. Se sua intenção é fazer produtos honestos que resolvem problemas reais na vida, você tem uma chance melhor de ser bem sucedido. Seu coração vai lhe dizer se você está fazendo isso pelas razões certas.

7. Você tem que beijar muitos sapos para encontrar um príncipe. Não se preocupe em falhar. As coisas que você aprende a partir de projetos que não viram sucesso, muitas vezes têm as sementes de conhecimento que você precisará mais tarde para encontrar o sucesso. As coisas que eu aprendi em projetos que falharam me ensinaram as habilidades que eu precisava para garantir o êxito do Post-It.

8. Toda vez que você aprende algo novo, é como comprar um novo par de olhos que lhe permite reconhecer coisas que você não tinha notado antes. Portanto, a mente de cada pessoal é como uma enciclopédia específica que lhe permite ver o mundo de uma forma diferente, reconhecendo os problemas, e tentando descobrir soluções que os outros podem não ver.

9. Trabalhe em coisas que lhe dão energia. Há muitas boas ideias circulando ao redor, mas o sucesso pertence àqueles que estavam dispostos a passar por cima de todas as barreiras que surgem até o sucesso. Nem sempre é o mais brilhante que terá sucesso, mas o mais difícil.

10. A vida passa rapidamente. Tire um tempo para apreciá-la. O problema é que quando você está gostando de algo, sua vida, por exemplo, o tempo passa ainda mais rápido.

70% dos brasileiros podem pagar mais por produto sustentável


Pesquisa do Ibope aponta também a disposição das pessoas em mudarem o estilo de vida para beneficiar o meio ambiente, embora menos de um terço nao recicle seus produtos
Pesquisa do Ibope indica que 70% dos brasileiros dizem estar dispostos a pagar mais por um produto saudável para o meio ambiente ou mesmo dispostos a mudar o estilo de vida para beneficiar o planeta (61%). O estudo ouviu 10.368 pessoas entre julho de 2011 e fevereiro de 2012 nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília, de ambos os sexos, pertencentes às classes AB, C e DE com idades entre 12 e 75 anos.

O instituto de pesquisa mapeou diversas questões referentes à sustentabilidade e apontou que apenas 26% dos brasileiros reciclam frequentemente, embora 86% concordarem que isso é dever de todos. O Ibope mostra ainda uma concentração maior de “recicladores” entre as pessoas de 35 a 75 anos e a reutilização de materiais mais evidente entre aqueles de 20 a 24 anos.

Pesquisa detalha a relação da classe C com o crédito


Após um ano e meio de estudos, socióloga aponta que maior índice de bancarização vem mudando a forma de vida da população das classes mais baixas. Pouca educação financeira ainda gera problema
Muito tem se falado atualmente sobre a chamada Nova Classe C, que obteve um incremento de renda nos últimos anos. No entanto, não foram apenas o aumento do salário mínimo e a implantação dos programas sociais que determinaram este fenômeno, mas, também, um maior acesso às opções de crédito e aos bancos nesta parcela da população.

Este é o assunto debatido pela socióloga e pesquisadora da USP, Cláudia Sciré, no livro “Consumo Popular, Fluxos Globais”, editado pela Annablume. A obra é fruto de um ano e meio de estudos com moradores do bairro do Campo Limpo, na periferia de São Paulo.

A principal questão levantada por Cláudia Sciré é como as pessoas lidam hoje com o que ganham e com os cartões de crédito que, na maioria das vezes, oferecem limites superiores às rendas das famílias. “As pessoas hoje possuem vários cartões de crédito, cada um com um limite bem maior do que elas ganham no mês. Alguns lidam muito bem com isso, mas muitos acabam se endividando”, explica a autora, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A pesquisadora aborda ainda os hábitos de consumo dos moradores da periferia e discute sobre a necessidade de se investir em educação financeira. “Muitas pessoas ainda não entendem que o cartão de crédito não deve ser utilizado como um complemento para a renda”, explica. Leia a entrevista na íntegra. 
  • Mundo do Marketing: Como o acesso ao crédito vem impactando na mudança de vida da população das periferias?
Cláudia Sciré: Estamos diante de um processo de dois eixos: de um lado este acesso ao crédito, que proporciona um incremento na renda e o aumento gerado pelo crescimento da economia e dos programas do Governo. Do outro lado temos  o fato de as empresas estarem se voltando para o hoje denominado público de baixa renda ou Classe C, e desenvolvendo produtos para atendê-los. O Shopping Campo Limpo é um desses exemplos.
  • Mundo do Marketing: Quais são as principais facilidades de crédito que essa parcela da população tem hoje?
Cláudia Sciré: O que acontece é que antes a Classe C não tinha tanto acesso a estas facilidades porque a taxa de bancarização era menor. Hoje temos um aumento neste índice, o que coloca um maior número de pessoas em contato com os bancos que vão oferecer os serviços básicos de cartões de crédito. Percebemos que esse limite é, muitas vezes, três ou quatro vezes superior à renda mensal das famílias. Não se trata apenas possuir um crédito, mas ele é muito amplo e isso não apenas através de um canal, que é o banco, mas ainda se tem um formado pelas redes varejistas, que possuem seus próprios cartões e que permitem créditos a mais e possibilidades de parcelar, além das financeiras. Tudo isso contribui para que elas possam gerir os seus gastos de uma maneira diferente do que era no passado. Antes faziam o uso do carnê, mas o cartão dá a possibilidade de parcelar em muitas vezes sem os juros.
  • Mundo do Marketing: Como essas pessoas lidam com a sua renda?
Cláudia Sciré: Por se tratar de um processo novo, é comum que elas ainda estejam aprendendo a lidar com isso. Nós mesmos temos uma imensa dificuldade de entender como é feita a cobrança dos juros nos cartões de crédito. Todo o sistema financeiro, de certa forma, já inibe uma busca maior de informações. A partir do momento em que se tem esse acesso facilitado, as pessoas começam a usar, porque existe o desejo de consumir. As consequências que observei foram muitos casos nos quais as pessoas se descontrolam. Há aqueles que gerem muito bem as dívidas e vão contornando as situações, ou seja, há meses em que pagam a prestação de um cartão para continuar usando, outros meses pagam a de outro. Há muito desse jogo de cintura, onde elas vão se virando, mas também há aqueles que não conseguem e acabam se endividando.
  • Mundo do Marketing: Como as pessoas lidam com a questão do nome sujo?
Cláudia Sciré: O que vemos hoje é que essa questão de sujar o nome já não é uma mácula na vida. Isso porque também é muito fácil limpar. A vida passa por esses estágios onde, uma hora estão com o nome sujo, outra hora com o nome limpo. Quando as pessoas estão com restrições acabam pedindo emprestado o cartão de alguém para continuar dentro desse ciclo de facilidades que o crédito oferece. Há ainda os casos em que elas esperam que a dívida expire. Quando se trata de uma rede varejista, é do próprio interesse dessas empresas de que a pessoa volte a consumir. A vida passa a ser gerida com base nesses compromissos que têm com o mercado e com esse jogo de cintura para administrar esse crédito super ampliado.
  • Mundo do Marketing: As pessoas usam o cartão de crédito como um complemento de renda?
Cláudia Sciré: O cartão sempre estoura o que elas ganham, porque com um ou dois salários mínimos, que era o que os meus entrevistados ganhavam na época, não é possível sobreviver, então, eles lançam mão do cartão de crédito para dar conta dessas inúmeras demandas que possuem e ter uma vida digna.
  • Mundo do Marketing: Até que ponto esse crescimento da Classe C é um aumento de renda real e, até que ponto, está ligado à ampliação da oferta de crédito?
Cláudia Sciré: Houve um incremento da renda que não pode ser negado, por conta do aumento do salário mínimo, dos programas sociais que o governo Lula ofereceu. Tudo isso estimula a renda e faz a economia crescer. Só que, mais do que isso, um outro motor desse processo é a ampliação do crédito. O que precisamos questionar é: as pessoas estão consumindo, mas também estão se endividando e isso tem conseqüências futuras que ainda não sabemos bem quais são.
  • Mundo do Marketing: Como são as práticas de consumo entre os jovens?
Cláudia Sciré: Metade da minha mostra era de jovens de 16 a 18 anos. Muitos deles já trabalham ou já têm filhos. São pessoas que começaram cedo no mercado de trabalho e que também se deparam com esse mundo de maravilhas prometido pelo cartão de crédito. Muitas vezes eles já ingressam tendo que abrir uma conta bancária. Muitos mencionaram que foram ao banco e foram questionados se queriam um cartão de crédito e aceitaram. Isso faz com que os jovens ganhem uma maior independência na hora de negociar com a família. Os filhos sempre ajudaram nas despesas da casa, mas, a partir do cartão de crédito, eles têm um controle maior da renda e também podem assumir gastos, como seus pais, que superam o valor do que ganham. Eles gastam muito com roupas e com calçados, com saídas à noite. Trata-se de uma série de desejos reprimidos e os jovens chegam com essa ânsia de ter as coisas. Alguns dizem que se tornaram pessoas somente após terem um cartão de crédito.
  • Mundo do Marketing: O que significa o cartão de crédito para essa parcela da população?
Cláudia Sciré: Ele significa, primeiro, a chave de acesso a um mundo de facilidades do consumo que o carnê não permite, porque a pessoa pode comprar de uma forma facilitada. Hoje se pode ter tudo, independente da renda. Vejo o cartão hoje como um artefato que circula dentro das próprias famílias e que altera as redes relacionamento entre as pessoas. Ele reconfigura esses relacionamentos. Pessoas emprestam seu nome a outras para comprar e isso afeta o jogo de relações no mundo popular, porque, muitas vezes, os compromissos não são honrados e muitos sujam os nomes de outros, ocasionando uma quebra nas relações.
  • Mundo do Marketing: Quais foram as principais alterações de hábitos de consumo que a senhora percebeu neste estudo?
Cláudia Sciré: Primeiramente, o que mudou foi o acesso aos bens de consumo e uma rotatividade, ou seja, as pessoas trocam seus móveis e eletrodomésticos com uma maior facilidade do que trocavam antes. O que vemos hoje são as casas super bem equipadas, embora por fora as fachadas ainda estejam em construção. Mais do que isso, temos uma reconfiguração na própria maneira de viver a vida. As pessoas pautam as suas ações futuras com base nos compromissos assumidos com o mercado. Trabalha-se para pagar as dívidas. É uma realidade que está lado a lado com o que está acontecendo em todo o país. Vivemos em uma sociedade de consumo, onde o mercado lança estímulos e as pessoas cedem a eles. O que acontece é que hoje quase tudo é possível.
  • Mundo do Marketing: Quais são as principais prioridades que as pessoas dão para gerir o orçamento doméstico?
Cláudia Sciré: A primeira coisa é pagar as contas em dia, de água, luz, alimentação. As pessoas raramente compram alimentos a prazo, porque, por se tratarem de artigos de consumo imediato, raramente são comprados para pagar mais tarde. Logo depois disso vêm as faturas do cartão de crédito, cada uma dentro da sua prioridades. Em alguns casos é usado o crédito rotativo. Todas as pessoas estão pagando ao menos um eletrodoméstico. Depois do cartão, a prioridade é para o pagamento de empréstimos bancários.
  • Mundo do Marketing: É comum a utilização dos empréstimos para tapar o buraco que o cartão de crédito faz no orçamento?
Cláudia Sciré: Muitos utilizam os empréstimos nas financeiras para pagar suas dívidas. Com isso, acabam se endividando cada vez mais e a situação se transforma em uma bola de neve. Tive entrevistados com dívidas que ultrapassavam os R$ 20 mil por causa desse descontrole. O que falta no país também são políticas públicas de educação financeira. As pessoas, muitas vezes, não entendem que o cartão de crédito não é um complemento da renda.